Mais ainda? Enfia na sua cara o fato de que você ajuda aquela merda toda a funcionar enquanto fuma um baseado. Eu adorei essa parte, pois nunca usei drogas, condeno quem usa exatamente por isso, e sempre fui chamado de careta. Sou, mas é melhor ser careta do que parceiro de bandido.
Surgem 200 mil discussões depois de um filme desses. A policia é errada? Ta certo? É assim que funciona? E matar sem perguntar o nome? E se legalizasse a maconha? Enfim, discussões, desde que argumentadas de lado a lado e não encerradas com “Voce so fala merda” são sempre ótimas pro país crescer.
Já surgiu a piadinha de que o filme tem um recado claro: Não compre, plante. Mas é só piada, graças a Deus.
O que gostei no filme é que ao invés de puxar o saco de quem consome, o filme bateu. É engraçado, mas lembra quando o Gabriel Pensador surgiu? Ele jogou na cara das mulheres que elas andavam fúteis e meio vagabas e dos playboys que eles eram uns lixos. Quem comprou os CDs? Eles mesmos. O filme é igual. O ibope dele é 80% de pessoas que FAZEM a merda que está colocada na tela. Mas, como assumir o erro é foda, vamos aplaudir e ficar imitando o nascimento por aí, já valeu a pena.
Sempre me perguntei se era errado a policia enfiar a porrada em favela. Sempre achei errado. Nunca achei errado darem geral pela rua na madrugada e usarem de alguma grosseria (não violência) pra falar com a molecada. Afinal, como vemos em qualquer madrugada em Sampa, a molecada não tem mais juízo de valor, princípios e muito menos respeito pelos outros e nem por eles mesmos.
É um pais perdido? Ah como eu adorei quando o Ceni disse isso na TV. Alguém tinha que falar! Aqui, não tem mais jeito. Ninguém vai mudar esse país simplesmente porque pra mudar algo é preciso que comece daquilo que dá certo, e aqui nada dá certo sem que haja beneficio extra ou alguém levando vantagem. Tudo, absolutamente tudo que envolve governo e sistema é comprado e mal feito. Eu, você e o povo todo, que nos fazemos de vitima todo dia, somos os maiores culpados, não vitimas.
Quem vota é você, quem fuma é você, quem joga merda na rua é você e quem aceita tudo isso por habito é você. Logo, não reclame dos seus representantes, eles não são nada alem de um espelho de quem o elegeu.
Jamais o Brasil teve um presidente tão perfeito. Fala mais do que faz, passa a vida dizendo que tudo aquilo é um absurdo, e quando dão a chance dele mesmo fazer diferente, diz que não viu, que não sabia e ainda reclama daqueles que o questionam, o que diga-se, foi sua “profissão” por 20 anos: Reclamar.
Carioca odeia paulista, paulista odeia baiano. Gaúcho odeia goiano, e assim segue o país do objetivo controverso. Querem paz, querem melhorar, e dão dinheiro pro inimigo. Querem união, crescimento e emprego, e pregam a rivalidade entre estados, a má imagem do vizinho e a banalização do preconceito geográfico.
O rotulo fácil e superficial de que a policia é uma merda, mesmo sendo. A desconfiança do povo, que rotula e desmerece tudo que é bem feito em virtude de achar que todos, sempre, estão fazendo algo ilegal. A inveja dos que não conseguem enxergar a vida como ela é e que usam de drogas pra se divertir, porque são uns bostas incapazes de rirem sem ajuda de química.
Reflexos de um país perdido, acabado, arrasado e sem a menor auto-estima. A historia do gordinho que se acha feio e acha a vida uma merda por ser gordo, e como ele lamenta isso? Comendo.
A gente questiona tudo, mas esquece de procurar soluções. A gente sempre reclama dos problemas, vivemos dizendo ser tudo um absurdo, mas raramente lemos uma sugestão de melhoria.
“Arruma isso!”, “Muda aquilo!”. Ok, muda como? Muda o que? Visando o que? Planejando de que forma? Em que direção?
Ninguém sabe. Não tem um filho da puta que viu o filme e atirou a maconha na privada. Fumou, e foda-se o que ele acabou de ver. Porque o Brasil ta perdido, ninguém mais acredita em nada, e por isso a gente caga em cima do que já está sujo.
Antigamente era bonito ser correto, hoje em dia você é imbecil se for. A mocinha que sair pra balada e não beijar 10, não encher a cara e não voltar gritando no carro é nerd, tapada, idiota. A que fizer é a esperta, a cabeça boa, a mais moderninha.
É moderno ser maluco. Moderno dizer coisas como: “Viva a vida como se não houvesse amanhã”. Beleza, então viva. Amanhã você se toca que tem 30 anos, mora com os pais, vive na balada e que sua vida é igualzinha a de 20 anos. Legal, viveu como se não houvesse amanhã, e não houve.
Acho que viver e curtir a vida é fundamental, mas as pessoas não conseguem dosar as coisas no Brasil, e isso vai da sua vida pessoal a participação social. O que aconteceu quando as mulheres resolveram ser como os homens? Viraram responsáveis? Sim, e o que mais? Vagabundas (obvio que não todas, mas muitas delas). O que aconteceu quando falaram em qualidade de vida? Passamos a trabalhar menos e a curtir a vida loucamente. Ótimo, brasileiro vive reclamando de emprego, sendo que ta cheio de TRABALHO por aí. Mas querem emprego, não trabalho.
Vivemos chorando que queríamos votar. Pois bem, deixaram. E ai? Melhorou ou fizemos mais merda ainda?
Ou seja, não adianta nada mudar se não souber mudar. A vida é simples, clara, e os que conseguiram algo nela tem histórias bem parecidas. Trilharam caminhos duros, de trabalho, honestidade, dificuldade e caráter.
O país da modinha agora vai malhar traficante e maconheiro por 10 meses. Depois, esquece. Aí vem um filme sobre a forma com que os jovens banalizaram o sexo e os relacionamentos e o foco se volta pra isso. Depois vem um falando da prostituição e vamos ficar reclamando e dizendo ser um absurdo.
No fundo, por mais que tudo isso incomode, revolte e machuque aqueles que tentam ser pessoas boas e bem estruturadas pra saber o que fazem, nada vai mudar.
Este texto, que muitos podem achar que é um desabafo igual os 900 mil que surgirão após o filme, não passa de um choro de mais um que não vai fazer nada pra mudar. E não vou mesmo, porque não sou hipócrita de querer mudar num mundo que ninguém quer saber de porra nenhuma.
Nós adoramos fingir que está tudo bem conosco e enfiar a porrada naquilo que está acima da gente. É habito nacional. Ninguém faz nada, ninguém aceita os problemas e o quanto são parte dele. Mas na hora de meter o pau e eleger culpados, todo mundo se transforma em usuário do Orkut, passa a ser bonito, honesto, perfeito e detona quem faz o que você considera errado e, claro, isento.
Estamos brigando contra o preconceito, preocupadíssimos com os direitos dos gays, esquecendo que quem dá ou não dá a bunda não muda em nada o meu dia-a-dia, mas quem fuma maconha muda.
Brigamos contra o Lula, contra a política, contra os senadores. E daí? Nem o buraco da nossa rua a gente sabe ligar e pedir pra taparem. A gente não briga, a gente não luta. A gente finge que está preocupado, eles fingem que estão se mexendo, e a gente finge que o Brasil tem jeito.
SOS mata atlântica, SOS a puta que pariu. Salvem as baleias! Salvem os Indios! Salve a você mesmo, antes de salvar os outros.
Ah Perrone, mas o que você fará já quê está tão revoltado com tudo isso? Vai mudar sua vida? Seus hábitos? Criar uma ONG?
Não, não vou fazer nada. Eu, assim como você e o “zero meia”, sou um Fanfarrão! Fico puto com eleição porque ela “fode meu feriado”. Eu sou igual a você… voto sabendo que serei roubado. Voto porque TEM que votar, se não, eu não iria. Viajaria e foda-se tudo.
Ah, quer saber? Foda-se tudo isso. Sexta é feriado, eu vou pra praia e que se dane se tem alguém morrendo na favela. Não fui eu que fumei aquela maconha mesmo…
Abs,
RicaPerrone