
O tiroteio
As duas diretorias deram “showzinho” antes do jogo. A razão é do SPFC, indiscutível. Quem baixou o nível foi a direção do Corinthians, atacando a torcida do SPFC e adjetivando o clube rival.
O clima esquentou, o jogo ganhou importância, as torcidas esperavam o jogo e, mesmo num campeonato falido, a rodada se tornou relevante.
O tiro no escuro
O que fez Muricy? Meteu um time reserva.
Mas aí é bem claro: se ganha, ótimo! Sou gênio! Se perde, era reserva. E seja qual for o placar, não atinge a moral e a cobrança sobre o time pra quarta-feira na Libertadores.
Eu não concordo. Achei uma decisão “covarde”. Se não quer dar valor ao torneio, então enfia os reservas e não valorize vitórias nele. Se for pra poupar, fizesse contra a Ponte, já que a torcida e 99% das pessoas que representam o clube queriam vencer o clássico.
Além do mais… o rival de quarta-feira, em tese, não é um bicho papão. Pra mim o SPFC errou. Tirou o brilho de um produto relevante na sua temporada(clássico contra o maior rival), em troca de uma garantia pouco justificável de ter o time inteiro num jogo comum. De Libertadores, é verdade. Mas, comum.
O tiro n’água
Mano Menezes optou por um time achando que o SP ia partir pra cima. Cheio de gente no meio e com 3 zagueiros, sendo que seu lateral direito não era lateral, era volante. A equipe, portanto, vinha de trás. E para fazer isso, precisava que o ataque segurasse a bola por, pelo menos, 5 segundos. Quem vai fazer isso? O J. Henrique? Não, o Souza.
Jogador de futebol com função tática é raramente compreendido pela torcida. Mas, quando é um, tudo bem. O duro é quanto o técnico usa 11 com função tática e esquece de jogar bola. Souza, hoje, era fundamental. O Corinthians devolveu todas as bolas pro SPFC em questão de segundos exatamente por não ter tempo de dar a bola na frente e chegar com os meias.
Atacar de frente, contra 3 volantes e 3 zagueiros, nem pensar.
O SPFC, por sua vez, teve um elemento surpresa: Os laterais. Pela primeira vez em alguns meses o time teve jogada pelas pontas e isso assustou o Corinthians. Mano não esperava dois laterais ofensivos e com isso perdeu muito do André Santos, que ficou para segurar o Diniz.
Um 0×0 justo, porque o SPFC também não teve chances claras de gol, mesmo com enorme posse de bola em virtude da fácil retomada que o Corinthians proporcionava.
Tulio, como sempre desequilibrado, fez uma bobagem e foi expulso. O jogo foi pro intervalo do jeitinho que o Muricy queria…
O tiro no pé
Mano voltou com Souza, corrigindo o maior erro do seu time na primeira etapa. Porém, com dez em campo, o que exigiria muito mais de seus jogadores. Muricy foi ousado e tirou um zagueiro para colocar um volante/meia.
Aí, tem duas interpretações:
A básica: O SPFC foi pra cima!!!
A crítica: O SPFC prendeu seus laterais em troca de afunilar o jogo no meio. Com 11×10, um erro grotesco de não explorar espaço para quem tem um jogador a mais. Encurtou o campo, facilitou a marcação do Corinthians e ainda deu mais chances do Corinthians chegar ao gol, já que os laterais do SPFC marcam pouco.
A posse de bola foi sendo equilibrada, o Corinthians já não devolvia de graça para o SPFC, que já não tinha Diniz e Jr. Cesar abertos para receber e criar em jogadas rápidas. Só com a bola dominada e a jogada construída, o que não é característica do SPFC, os dois se apresentavam.
Um tiro raro
Wagner Diniz expulso. Quase 30 do segundo tempo e o time do SPFC consegue arrumar a casa fácil com o Jean pela direita e o Arouca ficando mais. Sem Douglas, o Corinthians não vai ter com quem explorar o espaço. Boquita entra para dar movimentação e opção na frente.
Em raríssima jogada trabalhada e pelo chão, o SPFC marca o primeiro gol em ótima movimentação de Dagoberto. O SPFC está na frente e o Corinthians parte pra cima.
É tudo ou nada, 10×10, e o espaço é muito maior para quem contra-ataca nestes casos. É o paraíso tricolor, que joga marcando forte e saindo rapidamente para matar os lances. Um convite ao prazer.
O tiro pela culatra
Mas não. Em linda enfiada de bola, André Santos, elemento surpresa, aparece dentro da área e encobre Bosco. Tudo igual, porque? Porque a bola do Boquita foi imponderável, belíssima e pouco provável. E a zaga do SPFC, naquele momento com 2 zagueiros, se confundiu. Até pelo hábito de atuar com 3.
Aos 41, Jean cai na área. Fiquei na dúvida, mas eu não daria o pênalti por achar que ele espera a chegada da marcação e esquece a bola. O que ate foi bom, afinal, se o Jean decide o jogo ali, Muricy efetiva mais um volante como lateral e assim já resolve a entrada do Eduardo Costa daqui uns dias… (risos)
Aos 42, André Santos é expulso. O jogo pega fogo novamente e o SPFC parte pra cima.
Era pouco tempo. O SPFC forçou, mas o Corinthians enfiou seus 9 jogadores dentro da área e não permitiu sequer uma chance de gol.
1×1, resultado justíssimo para um clássico aumentado pelas diretorias, diminuído pelo SPFC e emocionante por natureza.
Abs,
RicaPerrone