A foto acima é a porta do meu quarto na pousada. Mata Atlântica pura, sem nenhuma proteção extra contra animais, insetos e etc. O lugar, Picinguaba, é uma delícia, mas… confesso que passei alguns momentos de terror no final de semana. E, pra variar, divido com vocês pra que eu não ria sozinho da minha própria cara.
Cheguei lá no sábado. Quando vi o lugar, no meio da mata, fiquei meio assim, pois não gosto muito de cobra, aranha, onça, etc. Gosto, mas lá longe… só olhando. Primeiro eu fui no quarto e vi que as camas eram altas. Já tive que perguntar pro dono o motivo. Muito do sacana, me disse: “Pras cobras não subirem a noite”. Puta que pariu… medo!
Lá fora perguntei se os bichos não iam na pousada. Pra que eu abri a boca?
- Ah, tem umas cobrinhas, aranhas, micos, essas coisas. Mas a gente mata se invadir aqui né…
Deus do céu… cade meu revólver? PReciso de um pra dormir. Mas, enfim… Vamos que vamos.
Chegamos numa praia lá que tinha que fazer trilha. O cidadão vira pra mim e fala:
- Bate o pé com força!
- Pra que?
- Pras cobras sentirem a vibração e correrem pro outro lado.
- Que cobras?????
- Ah, tá cheio aqui.
E lá foi o Perrone batendo o pé que dava pra ouvir até em Ubatuba.
Na praia, alguma coisa se mexeu nas pedras. Eu pensei que era caranguejo e fui lá pra pegar na mão (sim, eu sei pegar caranguejos! UHU!!!). Não, não era. Era alguma coisa maior, que corria pra dentro da pedra e fazia um som de “tsssssssssssss”, que eu interpretei como “vou te mataaaaar” e corri.
Na volta, o carro atolou na areia e ficamos 20 minutos esperando os caras do local discutirem a melhor forma de tirar dali. Tiraram… e era tanta gente que eu não sabia se dava um troco pra cada ou se procurava o chefe pra distribuir. Joguei na mão de um e disse: Pra voces ai! E ele que se vire. Não notei nenhuma mancha de sangue no outro dia, então acho que ele dividiu.
A noite fomos pra Parati. Para quem não conhece, Parati é um shopping onde todas as lojas vendem as mesmas coisas, carros não entram, todo mundo é gringo, garçom fala ingles e ninguém pode pedir uma pizza. Eu pedi, e mifu! Puta pizza ruim, a pior que eu já comi.
Bom, com tanta loja, as mulheres queriam comprar, comprar, comprar. Eu não. Era 18h10… o SPFC ia jogar… e eu não tinha nem como ver. Mandei sms pra todos os meus amigos pedindo informações, e andei nas ruas da Parati olhando pro celular. Enquanto isso, o Flamengo jogava e eu sabia quanto tava porque um boteco ali perto tava passando o jogo. Veio o sms: “GOL! BORGES!” E eu no meio da rua, espantando os gringos: EEEEEEEEEEEEEEE!!!!!! GOOOOOOL!!!! Vai caralho!!!
Os gringos olhando em volta não entendendo nada. Daí o Flamengo tomou 1×0, e em Parati todo mundo é rubro-negro. Fiquei nervoso, sai das compras e fui ver o jogo no boteco. Chegando lá, 2 vascainos e um tricolor carioca.
Perguntei quanto tava, me disseram que o Fla tinha empatado com o Fábio Luciano. Mas isso não é forma de se dizer pra um rubro-negro..
- Opa, quanto tá ai irmao?
- Os favela empatou mano.
- Quem fez?
- O Fabio Luciano.
- Boa.
- Que time tu torce, irmao?
- Sou rubro-negro também…
- Aqui é Vaxxxco…
- Ah, legal.
- Tá na merrrrrrda o Mengo hein!
- Pois é… mas vai melhorar. Piorar não dá.
- Vai nada! Falaí, Tricolor!
- É isso aeeee! Thiago amanhã vai arrebentar o Santox! (De ogum esse aí)
- Valeu, valeu rapaziada. Vou sentar e ver o segundo tempo.
Bom, nem terminei de ver. Tive que ir comer a pior pizza que já experimentei na vida. Na volta ainda quase atropelamos um Gambá que atravessou a rua. Ainda bem que eu gritei: “Olha o bicho!!!!!!” e quase fiz o motorista capotar. rs
Eu não como nada do mar. Domingo eu tinha que vir embora trabalhar la pelas 14h. Passamos num lugar e pediram feijoada de camarão. Ah, pelo amor né… falei que ia na última praia com eles e voltaria pra SP. Ótimo! Mala no carro, tudo ok, e eu ali de tenis, porque cobra é cobra né. (MEDO!) Foram subir umas pedras e eu ali por último analisando se arriscaria. Nisso vem uma onda e molha todo o tenis, com meia, tudo! E eu indo pra SP, sem ter como trocar nem secar.
Bom… fui né! Serra, neblina, 4h de viagem, aquela merda coçando meu pé, baconzitos que caiu no carro todo, celular que não pegava, um filho da puta de Uno Mile na minha frente que não deixava eu passar e ainda ameaçava andar pra trás na serra. Foi sensacional! Cheguei na Dutra e quase sai do carro pra comemorar o fim da saga na serra. Liguei o radio no Curintia e vim, com a camisa do Flamengo.
Chegando em SP resolvi pegar a Pacaembu, pois eu esqueci que o Curintia jogava lá. Quando eu cheguei no estádio aquela massa alvi-negra saindo e eu com a camisa do Fla. Pensei: “Fodeu!”. Tirei a camisa, escondi as coisas do SPFC, joguei o boné no banco de trás, tudo ninjamente dirigindo. Passei, os fiéis não notaram, e eu cantando baixinho: “Galiiiinha…. galinha sem história…”. Mas tudo bem, eles não viram. (Brincadeira, fiel!)
Cheguei em casa, morto, tirei o tenis, nojento, liguei a Tv e vi Flu x Santos. Enquanto isso atualizava a ET. Tive que sair pra comer uma pizza, afinal de contas, fiquei com aquela má impressão de pizza né. Paulista que não come pizza uma vez por semana não é paulista, é magro.
Enfim… com cobras, aranhas, gols via celular, tenis molhado e tudo que eu tinha direito, este foi meu final de semana, como sempre, cômico. Mas o pior de tudo nem foi isso tudo. Quando eu cheguei no fim da Serra tive que achar um posto numa micro-cidade pra colocar gasolina. Meu carro bebe mais que o Lula. Parei, pedi pra encher o tanque e fui ali comprar umas bobagens pra comer. Pedi pra mocinha me dar 2 Cocas e ela me deu 2 pepsis. Eu falei: Quero Coca!
- Mas taí
- Não, isso é Pepsi!
- Não, aqui Pepsi é Coca.
- Porra, como assim?
- Aqui na cidade só tem Pepsi.
- E se eu quiser uma Coca?
- Voce tem que ir na próxima cidade porque lá tem.
- Ok… e quem é o Cacique dessa porra?
- Oi?
- Nada… tchau.
abs,
RicaPerrone