É comum no futebol analisar resultados e ponto final. Eu não gosto disso, mas a gigantesca maioria se limita a concordar que venceu tá ok, perdeu tá uma merda. Assim acontece com os técnicos, que são cobrados como se jogassem na função dos 11. Não é bem assim.
Os elencos de SPFC x Palmeiras são tão desnivelados a favor do Tricolor que fica dificil competir. Aliás, no Brasil é dificil qualquer outro ter condições de se igualar ao SP sem ser com os 11 titulares. Na medida que cada time perde 2 ou 3 por cartões ou lesões, o SPFC sobra. Como sobra em todos os pontos corridos exatamente por isso.
Imagine você que ontem, por exemplo, o Wanderley nao tinha Diego Souza, o lateral esquerdo, o direito, o melhor defensor (edmilson). Fica muito óbvio o que ele vai fazer, afinal…. vai fazer o que? Só tem aquilo. Não dá pra inventar quase nada sem opções no elenco.
Do outro lado não. Muricy tem um leque de dar inveja. Faz o que quer na função que quiser. Escala o time do jeito que quiser, na disposição tática que bem entender, e azar de quem for enfrenta-lo. Ontem, Muricy optou por um SPFC triplo. Esquece Luxa x Muricy, a questão é mostrar o quanto é importante ter um elenco forte e com opções, coisa que o SPFC faz melhor do que ninguém.
Com 11 jogadores, Muricy escalou 3 times. Os três não prometem jogar um futebol agradavel, mas também arrebentam qualquer adversário na medida em que uma mudança num grito arma um novo time. Do outro lado, só trocando uns 3 e rezando para, em campo, o SPFC já não ter o antidoto para a troca.

Formação 1 – Um 442 meio simples, adiantando o Hernanes, formando um meia esquerda, um meia direita e dois volantes. Improvisando Zé na lateral e Hernanes na meia. A “vantagem” dessa formação é que o Muricy achou um jeito de ter 2 laterais volantes em cada lado. Ou seja, o Jwagner pode cobrir o Jr. cesar e o Arouca o Ze Luis. E se subirem os dois, o Jean cai pro lado que ficou aberto, fazendo o outro lateral ficar mais centralizado.

Formação 2 – O time muda pra um 352 recuando o Zé pra zaga. O Arouca cai na direita enquanto J. Wagner e Hernanes fazem funções de meias/volantes. Os laterais ganham liberdade. As trocas de laterais diminuem, mas o time ganha mais um fator surpresa pelo meio, porque o Jean também se arrisca caso o rival deixe só 2 na frente.

Formação 3 – Outro 442, mas com o Hernanes mais centralizado. Essa alternativa prende mais o Jorge Wagner, mas permite um jogador mais próximo dos dois atacantes, o que não acontece nas outras formações. Centralizam 3 jogadores e mais os 2 atacantes, oque obriga o adversário a manter, pelo menos, um lateral e 2 volantes o tempo todo.
Neste domingo Muricy teve as 3 alternativas com 11 jogadores. Por isso demorou pra mexer. Além das alternativas, complica muito o rival, porque qualquer mudança que o Luxemburgo faça pode cair por terra com uma simples alternativa de posicionamento do SPFC. E isso serve pra qualquer rival, já que ninguém tem o leque de opções que o SPFC tem pra escalar o time.
Méritos do Muricy, que foca e assume focar apenas em vencer.
Gostar dessa filosofia ou não… aí é uma discussão sem começo, meio e, principalmente, fim.
abs,
RicaPerrone